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O
filme de David Lynch vale a pena pelas ótimas
atuações de Richard Farnsworth e
Sissy Spacek, pela bela fotografia e principalmente
pela mensagem.
Alvin
Straight, personagem de Farnsworth, é um
velho fazendeiro, ex-combatente de guerra, já
nos últimos anos de sua vida, mas com uma
missão ainda não cumprida: fazer
as pazes com o irmão com quem não
fala há dez anos. Alvin tem artrite, enxerga
pouco e por isso teve sua licença proibida
pelo departamento de trânsito.
Quando
descobre que seu irmão Lyle (Harry Dean
Stanton) sofreu derrame, percebe que pode ter
pouco tempo para fazer a reconciliação.
Então decide enfrentar uma travessia de
300 milhas até o estado de Wisconsin em
um tratorzinho de aparar a grama. O que para seus
amigos parece uma idéia estúpida,
para ele é uma espécie de último
grande feito em vida. É na viagem que está
o fio condutor da história.
Sissy
Spacey está ótima no papel da filha.
Com um fortíssimo sotaque do interior e
uma dificuldade para falar que beira a gagueira,
ela só não poderia aparecer mais,
pois seu papel certamente ficaria cansativo.
A
partir daí surgem cenas incríveis
dos campos e da estrada no interior dos Estados
Unidos. Lynch repete imagens de tratores na colheita
do trigo e das rodas, do próprio tratorzinho
de Alvin, associando sempre a idéia de
movimentos lentos, repetitivos e cansativos. Há
quem diga que a loucura e a morbidez, típicas
dos trabalhos do diretor, não estão
presentes. Creio que nem tanto. Se você
prestar atenção encontrará
peculiaridades ligadas à desgraça
do ser humano, como o estresse de algumas pessoas
mesmo em meio rural.
Algumas
cenas ficam perdidas procurando explicação
e conexão com o resto do filme, o que pode
se tornar um infindável exercício
de imaginação.
O
sucesso da viagem depende das pessoas que o personagem
encontra no caminho, que enriquecem o enredo com
várias histórias paralelas. A dúvida
que fica é se na vida real as pessoas seriam
assim tão prestativas e amigáveis.
O
filme é devagar, mas não o bastante
para irritar o expectador. Prevalece a curiosidade
em saber qual será o próximo obstáculo,
ou a próxima lição.
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