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A
infidelidade feminina nunca foi tão falada
no Brasil como na época em que Nelson Rodrigues
estreava suas primeiras peças. O dramaturgo
gostava tanto de explorar a intimidade da mulher,
que se transvestia em Suzana Flag, a pseudo-jornalista
que respondia perguntas do público feminino.
A traição por parte das mulheres
era, no entanto, fruto de muita repressão
dos maridos, que traíam sem culpa.
O
que choca ainda mais em Infidelidade, é
que o esposo ofendido é daqueles que segue
à risca o modelo do esposo sonhado por
todas as mulheres. Edward Sumner (Richard Gere)
é do tipo charmoso, romântico, dedicado
à família e, principalmente, apaixonado
pela mulher. São casados há onze
anos, têm um filho, vivem em uma bela casa
no subúrbio de Nova Iorque, com cachorro,
jardim e todo o aparato colocado à disposição
das famílias típicas nos filmes
ianques.
Os
momentos iniciais, em que os dois parecem muito
bem casados, tornam-se uma espécie de suspense,
pois você só fica esperando o problema
aparecer. E tudo muda quando o diretor Adrian
Lyne coloca Paul Martel (Olivier Martinez) para
revirar a vida do casal. Gere, que no cinema sempre
fez o galã austero, faz pela primeira vez
o papel do marido que, além de traído,
passa agir como um tolo completo.
A
mulher é Constance ou Connie Sumner (Diane
Lane), que interpreta com grande saber o papel
da mulher dividida entre o afeto e o sexo casual,
a volúpia e a culpa. Quando ela volta para
casa, após a primeira noite com o amante,
há uma ótima seqüência
de suas expressões. Fica nítido
que o peso da traição é vencido
pelas lembranças do que acabou de acontecer.
Lyne
mantém seu estilo. Você poderá
inclusive ter lembranças de 9 ½
Semanas de Amor, principalmente nas ocasiões
em que o sexo acaba acontecendo, em lugares nada
comuns. A segunda parte do filme é completamente
diferente, tornando a história melhor a
cada surpresa, fazendo o enredo render além
do esperado.
Fica
claro que, apesar de prender o espectador com
cenas de pura lascívia, Lyne é moralista
e faz a história de Connie e Paul acabar
como tragédia. Mostrando justamente o desejo
avassalador como engodo à traição,
Lyne talvez não tenha conseguido provar
que o traidor sempre acaba mal. A lição
pode ser machista mesmo, que mulher gosta mais
é de cafajeste e que os "bonzinhos"
acabam se dando mal.
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