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2002,
além de Copa do Mundo e eleições,
certamente será o melhor ano do cinema
brasileiro desde 1976, quando Dona Flor,
de Bruno Barreto, foi assistido por 11 milhões
de pessoas.
Confirmamos
tal afirmação quando nos damos conta
que são vários os filmes nacionais
de boa qualidade em cartaz. Além de Lavoura
Arcaica e O Invasor (Beto Brant), poderemos
brevemente ver Abril Despedaçado
(Walter Salles) e Bellini e a Esfinge (Roberto
Santucci) nos cinemas de nossa cidade.
Neste
final de semana vimos e recomendamos os dois primeiros,
mas a crítica vai para Lavoura Arcaica,
que ganhou na semana passada o prêmio ABC
de Melhor Fotografia. Mas não é
só aí que o filme tem qualidades.
O
diretor fez um trabalho estupendo com o romance
de Raduan Nassar - o mesmo autor de Um Copo
de Cólera. O filme é essencialmente
uma adaptação da obra para o cinema,
mantendo seu vocabulário rebuscado e longos
diálogos, o que foi uma ótima oportunidade
para os atores mostrarem seu talento.
A
ressalva, como dissemos na prévia, fica
por conta da duração da película.
Não é recomendado para quem quer
simplesmente ir ao cinema por diversão.
Esses provavelmente abandonarão a sala
antes do término. O filme é denso
e com pouquíssima ação. A
cena inicial, por exemplo, mistura sons de um
trem com movimentos do corpo do ator, aguçando
a curiosidade de quem assiste para saber o que
ele está fazendo. O problema é que
isso dura uma eternidade e por aí já
se tem idéia do que vem adiante. Carvalho
não poupou o expectador de tudo o que queria
passar, mas isso não quer dizer que você
irá necessariamente captar tudo o que ele
quis dizer.
Apesar
de todos esses pontos, o filme vale a pena. Aos
interessados a prestar atenção nos
belos diálogos, nas paisagens e nas cenas
fortes em que André (Selton Mello) relata
a seu irmão Pedro (Leonardo Medeiros) sua
visão da vida em família, suas frustrações
e desejos reprimidos pelo pai autoritário
(Raul Cortez).
A
história é uma espécie de
parábola a respeito da libertação,
dos impulsos e repressões sexuais na visão
de um jovem. Tudo isso fortemente ligado à
família, aquela em que o pai senta na cabeceira
da mesa e tem voz única enquanto os outros
escutam de cabeça baixa.
Enfim,
o filme é estritamente artístico
e inspirador e por isso pode ser muito proveitoso.
Como estímulo serve a lição
que é dada por diversas vezes na história:
"A paciência é a virtude das
virtudes, a maior que um homem pode ter".
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