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Fpolis, 02/08/2002

Minority Report - A Nova Lei

Título Original: Minority Report
País: Estados Unidos
Ano: 2002
Duração: 146 minutos
Ação / 14 anos
Direção
: Steven Spielberg
Elenco:
Tom Cruise, Colin Farrell, Max von Sydow, Samantha Morton e Steve Harris.
Site Oficial


Crítica

O ano 2054 não está muito longe. Lá, os leitores de retina - atualmente em fase de testes em alguns aeroportos, após os atentados terroristas nos EUA - estão por toda parte. As pessoas são identificadas a cada passo. Ao entrarem nas lojas, são atendidas pelos anúncios virtuais, que falam seu nome e suas preferências em compras. Os automóveis deslizam em incríveis cascatas ao longo dos edifícios e param exatamente na porta (ou seria janela?) de sua casa, lá você ascende as luzes e escuta música através de um simples comando de voz.

Mas nessa Washington D.C. cheia de confortos tecnológicos, para escapar da polícia, não há outra saída senão trocar os olhos. E se você é um infrator não adianta fugir de carro, pois ele o levará para a polícia.

É nesse mundo criado pelo escritor Philip K. Dick e adaptado por Steven Spielberg para o cinema, que vive o policial John Anderton (Tom Cruise), chefe da Pré-Crime, uma unidade policial que prende os criminosos antes mesmo de cometerem seus delitos. A idéia, que à primeira vista parece absurda, funciona com uma mistura de tecnologia e poderes sobrenaturais vindos de humanos. São os "precogs", gêmeos videntes, mantidos em uma espécie de líquido nutritivo, que têm suas previsões sobre os crimes captadas e transformadas em imagens. É com as cenas do crime que Anderton faz uma rápida investigação para descobrir o local do futuro homicídio. As evidências se completam com os nomes do vilão e da vítima, gravados em bolas de madeira, cujas cores fazem saber se o crime é premeditado ou não.

O filme é muitíssimo interessante, principalmente pela discussão que pode ser feita a partir dessa questão ética, de uma polícia que prende e neutraliza pessoas antes mesmo de cometerem seus delitos. Nessa vida simplesmente não há uma segunda chance, é como se o destino fosse um só e não houvesse como impedir determinados acontecimentos. Os paradoxos são evidentes, como na cena em que o dono da Pré-Crime, Lamar Burgess (o ator sueco Max Von Sydow), questiona a inexistência de cura para um simples resfriado.

O início do filme é pura ficção científica, mas a certa altura passa a uma original trama de ação e suspense. Spielberg soube dosar cada ingrediente para não cansar a platéia. Os efeitos especiais também são na medida certa, o diretor faz um filme, não uma vitrine de efeitos.

Cruise, que passou definitivamente a produzir os filmes em que atua, parece ter gostado de brincar com o tempo e com o fato de ficar deformado, o que também acontecia em Vanilla Sky. Aliás, se você prestar atenção verá a atriz daquele filme, Cameron Diaz, e seu diretor, Cameron Crowe, na cena em que Anderton foge de metrô. Os filmes foram feitos um após o outro, e os "astros" do outro resolveram fazer uma "ponta" neste.

O novo filme de Spielberg é sem dúvida um dos melhores dos últimos tempos. Principalmente por utilizar todo o tipo de tecnologia em captação e edição de imagens, mas sem atrapalhar a atuação dos atores. O trabalho certamente será lembrado em discussões boêmias - ou mesmo doutrinárias - sobre o controle do Estado sobre seus "tutelados", pois mostra - e assusta - como seria um mundo sem crimes, mas também sem privacidade.

Dizem que o Spielberg pós -AI - Inteligência Artificial, passa por uma fase kubrickiana, influenciado pelo mestre que dirigiu 2001 - Uma odisséia no espaço e Laranja Mecânica. Pode até ser. Mas é exagero dizer o Minority Report é qualquer obra-prima, ou fazer comparações entre os diretores que, cada um ao seu tempo, representam o que há de melhor em seu estilo.


 

   

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