|
A
cena violenta que marca o início faz você
pensar que irá realmente assistir um filme
de terror. Alguma coisa - que mais parece uma
força sobrenatural - ataca uma senhorita
e lança sua cabeça violentamente
contra uma rocha. Logo depois aparecem dois cavaleiros
e um deles dá um show de artes marciais,
pondo ao chão vários homens que
violentavam outra moça.
Tampouco
faltam cenas de amor e outras de muita sensualidade,
estas em longas seqüências feitas em
um bordel. E é com toda essa mistura que
Christophe Gans fez Pacto dos Lobos. Por
incrível que pareça: o trabalho
deu certo. É o tipo de filme que você
não vê sentido em inúmeros
acontecimentos, mas mesmo assim acaba achando
pelo menos interessante.
Os
cavaleiros são Grégoire de Fronsac
(Samuel Le Bihan) e Mani (Mark Dacascos) - um
naturalista francês e seu assistente, que
são contratados pelo rei da França
para encontrar e matar uma "besta" que
aterroriza uma região nas montanhas francesas.
De Fronsac representa o racionalismo e se contrapõe
ao aristocrata Jean Francois (Vincent Cassel),
que logo se mostra mais perigoso que a própria
besta.
Dentre
as mulheres também há dois opostos:
A misteriosa cortesã Sylvia (Monica Bellucci),
que utiliza seu corpo como instrumento de trabalho
- não como prostituta como todos acabam
pensado e Madeiline (Emilie Dequenne), bela, doce
e frágil. Ambas encantam Fronsac, mas ele
se apaixona mesmo por esta última.
Pelo
que você leu até aqui, parece que
estamos falando o tempo todo do mesmo filme? A
resposta dá mais uma idéia de como
é a trama.
O
que enriquece ainda mais o trabalho do diretor
francês é a magnífica qualidade
do filme. Para as cenas de luta são utilizadas
algumas técnicas já vistas em O
Tigre e o Dragão de Ang Lee. A câmera,
freneticamente movimentada nos ataques da besta,
também foi recurso utilizado por Ridley
Scott em Gladiador.
A
besta é que não convence. No pouco
que ela aparece, tem-se a impressão que
foram economizados recursos gráficos para
torná-la mais real. Talvez para manter
a originalidade do filme. Mas com ou sem besta
ele já estava bastante original.
Um
ponto tido como de extrema criatividade do diretor
foi a interessante transposição
das imagens de um seio feminino em montanha coberta
de neve. Mas aqui no Brasil já vimos o
Hans Donner fazendo isso.
A
crítica estadunidense chegou a dizer que
não fosse a língua, parecia um filme
feito por eles. Infelizmente esse é também
o pensamento que prepondera por aqui. Por outro
lado, demonstra que os maiores produtores de cinema
no mundo estão abrindo os olhos para o
cinema que vem de fora. O espectador é
que ainda tem receio de assistir esses filmes.
|