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Hollywood
tem hoje empresas especializadas em produzir trailers
dos filmes. O que se vê não é
uma simples edição de imagens captadas
nas filmagens, mas produções direcionadas
a fazer você acreditar que aquele "coming
soon" se refere a um ótimo filme.
É
o que acontece com Sinais. Que Mel Gibson
está aceitando cachês milionários
para fazer qualquer enlatado, a gente já
sabia. Que M. Night Shyamalan, consagrado em O
Sexto Sentido, não conseguiu repetir
o sucesso em seu segundo filme, Corpo Fechado,
a gente também tinha alertado. Mas ninguém
poderia imaginar que Sinais fosse tão
ruim.
É
uma película do tipo B, só não
é pior, pois conta com atores conhecidos
e recursos que garantem uma boa edição.
O resto é uma mistura de suspense, ficção
científica, humor e grotesco. E é
esta última característica que permeia
o aspecto geral do filme.
Pouco
se fala dos tais círculos. Eles são
puro marketing. Estão no cartaz, é
o que mais aparece no trailer, mas no filme são
só pretexto para uma invasão alienígena
em todo o mundo. Tudo acompanhado pela televisão,
em uma casa perdida no meio de um milharal.
Há
muito suspense em torno de coisas estranhas que
acontecem depois da aparição dos
círculos. Seres invisíveis rondam
a casa, o cachorro da família ataca os
filhos, mas ninguém sabe o que é
e o que está acontecendo. Shymalan esconde
cada detalhe para, mais tarde, mostrar um alienígena
que não convence. A primeira aparição
é na TV, numa reportagem que mostra uma
festa na cidade de Passo Fundo (RS). O pouco que
se ouve é um português brasileiro,
ao contrário do que se dizia. Mas o crítico
do Entertainement Weekly, completamente sem noção
de geografia, disse que a cena se passava no México.
Mel
Gibson faz o patético Pastor Hess, uma
espécie de herói-perturbado. Há
uma cena, em que sua família prepara uma
"última ceia", antes da invasão.
Ali há uma sucessão de diálogos
sem sentido, um Mel Gibson que tem uma crise de
nervos e come a comida que seus filhos não
querem comer. Depois todos aparecem abraçados,
numa imagem que talvez devesse ser tragicômica,
mas que parece patética.
A
idéia do filme é boa, mas tudo é
motivo para fazer você ficar assustado o
que acaba não acontecendo. Depois da primeira
meia hora fica entediante. A única coisa
que prende é querer saber como irá
terminar aquele monte de absurdos.
Contando com filas para chegar até o shopping,
mais aglomerados para comprar ingressos, para
entrar nas salas, o conselho é não
assistir Sinais. Se você quiser muito
ver, deixe para pegar no vídeo. Outro conselho
é ficar atendo à propaganda. Ela
nunca enganou tanto como com esse filme.
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