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Fpolis, 26/06/2002

Sonhos Tropicais

Título Original: Sonhos Tropicais
País: Brasil
Ano: 2000
Duração: 120 minutos
Drama / 12 anos
Direção
: André Sturm
Elenco:
Lu Grimaldi, Bruno Giordano, Carolina kasting, Flávio Galvão, Ingra Liberato, José Lewgoy, Hugo Carvana, Cecil Thiré e Cláudio Mamberti
Homem Aranha


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Neste final de semana com final de Copa do Mundo seremos nacionalistas também no cinema e vamos comentar Sonhos Tropicais, um filme de André Sturm, cuja protagonista é a nossa conterrânea Carolina Kasting.

A película é baseada no livro homônimo de Moacyr Scliar e fala do episódio histórico conhecido como "Revolta da Vacinas". O cenário é o Rio de Janeiro do início no século XX, assolado por um surto de febre amarela. Coincidências com as atualidades à parte, o problema é o descaso das autoridades administrativas em uma cidade tomada por ratos e mosquitos.

Um dos personagens históricos é o sanitarista Oswaldo Cruz, interpretado por Bruno Giordano. O médico chega em terras brasileiras no mesmo barco de Esther, uma jovem judia polonesa em busca de um marido, mas que acaba tendo outro destino. As histórias da saga das judias polonesas no Brasil e a vida do sanitarista-símbolo do país são contadas paralelamente, como se fossem dois filmes.

Para fazer Esther, Carolina foi antes preterida por atrizes francesas, como Emmanuelle Béart. Acabou ficando com o papel e, mesmo sendo sua estréia no cinema, levou o prêmio de melhor atriz no Festival de Recife.

André Sturm, que já rodou os curtas Arrepio, Nem Tudo Que É Sonho Desmancha no Ar e Domingo no Parque, dirige seu primeiro longa. Mas experiência no cinema é o que não lhe falta: passou de cineclubista para curta-metragista e atualmente, além de ter dirigido um longa, é proprietário da distribuidora Pandora Filmes.

A direção de arte é de Cristiano Amaral, que já trabalhou em Florianópolis com os cineastas Eduardo Paredes e Chico Faganello. O elenco conta ainda com Lu Grimaldi, Douglas Simon e Hugo Carvana.


Crítica

A sugestão é que você assista Sonhos Tropicais, principalmente pela aula de história que ele representa. O diretor André Sturm disse que os novos filmes nacionais ou têm sido comédias ou são do tipo "meio história oficial". No seu filme todos os fatos narrados são reais, até os inventados, avisa o final da película.

O sanitarista Oswaldo Cruz (Bruno Giordano) é o protagonista no episódio da Revolta das Vacinas, que transformou o modo como a saúde era vista no país. O personagem é mostrado como um homem decidido a fazer mudanças. Tomado por idéias adquiridas nos anos que estudou em Paris, Dr. Cruz não reluta em tratar os problemas com mais ação, opondo-se à politicagem preponderante na época.

Carolina Kasting faz com maestria a polonesa Esther, com direito a falar iídiche no início do filme e permanecer o resto dele com um forte sotaque. Carolina disse, que chegou a aprender um pouco da língua nativa de sua personagem, a fim de não repetir o texto sem saber o que dizia.

O filme se passa em dois planos: o da vida privada, com Esther e o da vida pública, com Oswaldo. O primeiro conta fatos históricos não muito conhecidos, como o das judias polonesas trazidas ao país com promessas de casamento, mas que acabavam trabalhando nos bordéis. O contraponto é feito com três aristocratas, mostrados sempre num café, comentando os fatos da política baseados em notícias de jornais. Parte da história é contada por eles.

Os problemas aparecem na atuação linear de Giordano. O ator faz com a mesma didática, muitas vezes cansativa, tanto uma conversa com o presidente, como em casa com sua esposa. Já o roteiro, parece ter sido recordado. Sobraram cenas de luta, mas detalhes fundamentais, que precisavam de alguns segundos a mais foram esquecidos. É o caso do reencontro casual entre Esther e Dr. Cruz, quando ela se faz voluntária para testar uma vacina. A cena é tão rápida que parece falsa.

Além de Carolina Kasting, Sturm contou com atores já consagrados como Cecil Thiré, no papel do presidente Rodrigues Alves e Flávio Galvão fazendo o chefe da polícia. Mas o destaque ficou por conta de Douglas Simon. O novato foi muito bem fazendo Amaral, um típico malandro carioca que se encanta com a "polaquinha", como Esther fica conhecida.

Mais uma vez valeu a pena conferir o trabalho dos nossos cineastas. Este ano em que o Brasil se consagra penta campeão mundial de futebol, promete ser também o ano do cinema brasileiro. São mais de 200 filmes em preparação, filmagem ou prontos para lançamento até o final do ano.


 

   

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