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A
sugestão é que você assista
Sonhos Tropicais, principalmente pela aula
de história que ele representa. O diretor
André Sturm disse que os novos filmes nacionais
ou têm sido comédias ou são
do tipo "meio história oficial".
No seu filme todos os fatos narrados são
reais, até os inventados, avisa o final
da película.
O
sanitarista Oswaldo Cruz (Bruno Giordano) é
o protagonista no episódio da Revolta das
Vacinas, que transformou o modo como a saúde
era vista no país. O personagem é
mostrado como um homem decidido a fazer mudanças.
Tomado por idéias adquiridas nos anos que
estudou em Paris, Dr. Cruz não reluta em
tratar os problemas com mais ação,
opondo-se à politicagem preponderante na
época.
Carolina
Kasting faz com maestria a polonesa Esther, com
direito a falar iídiche no início
do filme e permanecer o resto dele com um forte
sotaque. Carolina disse, que chegou a aprender
um pouco da língua nativa de sua personagem,
a fim de não repetir o texto sem saber
o que dizia.
O
filme se passa em dois planos: o da vida privada,
com Esther e o da vida pública, com Oswaldo.
O primeiro conta fatos históricos não
muito conhecidos, como o das judias polonesas
trazidas ao país com promessas de casamento,
mas que acabavam trabalhando nos bordéis.
O contraponto é feito com três aristocratas,
mostrados sempre num café, comentando os
fatos da política baseados em notícias
de jornais. Parte da história é
contada por eles.
Os
problemas aparecem na atuação linear
de Giordano. O ator faz com a mesma didática,
muitas vezes cansativa, tanto uma conversa com
o presidente, como em casa com sua esposa. Já
o roteiro, parece ter sido recordado. Sobraram
cenas de luta, mas detalhes fundamentais, que
precisavam de alguns segundos a mais foram esquecidos.
É o caso do reencontro casual entre Esther
e Dr. Cruz, quando ela se faz voluntária
para testar uma vacina. A cena é tão
rápida que parece falsa.
Além
de Carolina Kasting, Sturm contou com atores já
consagrados como Cecil Thiré, no papel
do presidente Rodrigues Alves e Flávio
Galvão fazendo o chefe da polícia.
Mas o destaque ficou por conta de Douglas Simon.
O novato foi muito bem fazendo Amaral, um típico
malandro carioca que se encanta com a "polaquinha",
como Esther fica conhecida.
Mais
uma vez valeu a pena conferir o trabalho dos nossos
cineastas. Este ano em que o Brasil se consagra
penta campeão mundial de futebol, promete
ser também o ano do cinema brasileiro.
São mais de 200 filmes em preparação,
filmagem ou prontos para lançamento até
o final do ano.
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