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Fpolis, 12/04/2002

A ÚLTIMA CEIA

Título Original: Monster's Ball
País: Estados Unidos
Ano: 2001
Duração: 111 minutos
Drama/16 anos
Direção
: Marc Foster
Elenco:
Billy Bob Thornton, Halle Berry, Heath Ledger, Peter Boyle, Sean 'Puffy Dad' Combs, Coronji Calhoun.
Página Oficial
Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma

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Que Halle Berry foi a primeira negra a ganhar o Oscar de melhor atriz todos já sabem. Só que ainda não foi possível conferir se ela mereceu.
É que A Última Ceia demorou um pouco para estrear aqui em Floripa. Mas a partir de hoje todos podem tirar suas próprias conclusões. Se foi tudo no embalo das homenagens aos atores negros - há quem diga que foi puro marketing - ou se foi realmente o talento da atriz que superou as expectativas. Lembrem-se que a favorita era Nicole Kidman por Moulin Rouge.
A ficha técnica do filme não conta com nomes dos mais conhecidos. O diretor é o suíço Marc Foster, praticamente estreante em Hollywood, que foi muito elogiado pela forma como deu vida ao roteiro de Milo Addica e Will Rokos.
Berry faz Letícia, a mulher de um negro condenado à morte (Sean Combs), que Hank Grotowsky (Billy Bob Thornton) ajudou a conduzir à cadeira elétrica. O filho do carcereiro, Sonny (Heath Ledger), não consegue trabalhar com a mesma frieza do pai e passa mal durante as execuções. O pai de Hank, Buck Grotowsky (Peter Boyle) criou o filho com todo o ranço racista do sul dos Estados Unidos.
A típica história de ódio racial sofre uma virada quando Hank e Letícia se apaixonam. A partir daí só vendo o filme para certificar-se sobre a premiada atuação de Halle Berry, sobre o roteiro indicado ao Oscar e outros detalhes.


Crítica do filme

O filme vale a pena, a atuação de Halle Berry é digna de premiação, mas não há nada de novo ou surpreendente em A Última Ceia.
Há quem pergunte se o nome do filme tem alguma relação com a passagem bíblica. Não tem nada a ver! O título original Monster's Ball, é uma alusão à refeição dada ao preso condenado à morte em sua última noite. Mas a história em geral não gira em torno do tema pena de morte. O filme fala do rompimento com valores antigos, trazidos pela família há gerações e das mudanças que uma pessoa pode sofrer quando apaixonada.
A história de ódio racial - transmitida de pai para filho - fica clara quando o velho Buck (Peter Boyle) manda o filho Hank (Billy Bob Thornton) expulsar com uma arma os meninos negros que, convidados pelo neto Sonny (Heath Ledger), brincavam nos arredores de sua casa.
Hank e Sonny seguem os passos de Buck como policiais que cuidam de presos no corredor da morte. Entretanto, como se não bastasse o convívio com os negros, Sonny tem um acesso de vômito ao levar um condenado à cadeira elétrica. Para o pai fica comprovado que ele não consegue executar os serviços com a frieza necessária. A partir daí ele passa a tratar o filho como um covarde.
Até determinada parte do filme, Halle Berry - que faz Leticia, viúva do condenado à morte - não aparece muito. O início passa rápido, talvez pela expectativa em ver a ganhadora do Oscar. Quando a história em si começa, você fica só esperando algo acontecer de uma vez. O filme é um tanto quanto lento.
A cena de sexo entre Sonny e uma prostituta, no início do filme, é tão frívola quanto a execução do condenado. Assim é grande parte da película, a vida dos personagens continua extremamente leviana e o roteiro nos leva a acreditar que a qualquer momento haverá uma espécie de surpresa.
A quebra acontece na belíssima seqüência em que Hank vai até a casa de Leticia e os dois acabam se entregando um ao outro. A atriz mostra que sabia muito bem quem era seu personagem, faz uma ótima transição entre sentimentos de ódio e paixão, ri e chora envolvendo o espectador.
Não há dúvidas que fica mais fácil ser reconhecido como ator com trabalhos dramáticos, considerados mais difíceis. A Academia também ajudou quando tratou de resolver todas as injustiças com atores negros na mesma noite. Mas Halle Berry mostrou que, além de uma bela mulher, tem um futuro muito promissor em sua carreira. Thornton também teve uma boa atuação. O restante não foge do lugar comum.


 

   

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