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Quem
vai ao cinema achando que se trata de um documentário
sobre as festas juninas tem uma surpresa. O filme
de Andrucha Wadington é, na verdade, um
retrato do Nordeste brasileiro, cantado por Gilberto
Gil em homenagem a Luiz Gonzaga.
A
marca deixada pelo Rei do Baião é
música predominante no filme. As festas
juninas são os acontecimentos nos quais
toda essa musicalidade é trazida à
tona e, a partir daí, mostra-se a culinária
e a religiosidade das festas de junho.
Por
parte do diretor, parece ter havido uma dualidade,
uma indecisão entre fazer um documentário
sobre as festas juninas ou retratar preponderante
a vida de Luiz Gonzaga. A mistura rendeu um resultado
saboroso, a diversidade de informações
traz um enredo que pouco se vê em documentários,
o instrutivo se torna divertido, tudo temperado
com músicas e entrevistas.
No
início Waddington leva a irmã de
Gonzaga de volta a Exu, cidade natal da família.
No caminho ela conta histórias sobre o
início da carreira do irmão, numa
conversa completamente a vontade, nem parece que
tudo estava sendo documentado. De quebra, enquanto
eles cantam ao chegar na cidade, você vê
parte da história de Luiz Gonzaga retratada
em um muro.
Viva
São João! é uma espécie
de inventário do que deixou Luiz Gonzaga
ao Brasil. Essa "documentação"
é feita por Gilberto Gil, parceiro de Waddington
já em Eu, Tu, Eles, que agora é
o personagem principal, uma espécie de
narrador da história.
Dominguinhos
e outros menos conhecidos como Targino Gondin,
são entrevistados lá no sertão
em meio a belas imagens do pôr-do-sol. Os
comentários mais interessantes são
os de Sivuca. Ele diz que hoje é bonito
falar em "forro pé de serra",
mas nos anos 40 o forró era profano. E
depois é mostrado o trem do forró,
em Campina Grande, onde as pessoas dançam
enfileiradas dentro do veículo em movimento.
Há
também o caráter histórico-político,
implícito ao discutir a ida de Gonzaga
do Nordeste ao Rio de Janeiro, o mesmo que aconteceu
com Gil anos depois. O paralelo é traçado
com imagens de um show no Rio, com participação
de Elba Ramalho e outros artistas.
A
parte mais rica do filme é a "guerra
das espadas", um duelo com foguetes caseiros.
Além de mostrar a confecção
dos artefatos, há opiniões de gente
que participa da brincadeira e diz que "você
leva no máximo uma queimadura leve, de
terceiro grau é difícil..."
Outro
ponto a destacar é a entrevista com Dona
Luzia, uma sertaneja que serviu de inspiração
para o personagem de Regina Casé, a Darlene
de Eu, Tu, Eles. É uma nordestina
com a pexera na mão, que diz não
abrir mão de seu sossego, prefere cuidar
dos cabritos... Quando perguntada sobre a época
de São João: aí é
diferente, ela deixa a tranqüilidade de lado.
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