HIPPONet
Guia Floripa > Futebol SC 99 > Clipagem 
 CLIPAGEM - 21 de julho 

Ressacada é o palco
do primeiro duelo

Avaí e Figueirense começam a decidir o campeonato movidos pela rivalidade que já dura oito décadas

Florianópolis - Quase 24 anos depois da última vez que entraram em campo para decidir um título Estadual, Avaí e Figueirense começam hoje a disputa pelo troféu Saul Oliveira, atribuído ao campeão da 77ª edição do Campeonato Catarinense. O primeiro clássico (358) será disputado hoje, às 21h30, na Ressacada dominado pela rivalidade que alimentam as duas equipes há oito décadas.

O técnico Cuca, do Avaí, deve repetir a base do time que venceu o Criciúma no domingo por 3 a 2. As dúvidas são Alex Rossi, Mano e Fantick, que ainda se recuperam de contusões. Os desfalques serão Luiz Fernando, expulso no domingo, Edson Santos, cumprindo suspensão depois do terceiro cartão amarelo, e Weysler, machucado.

Os jogadores do Avaí permanecem durante todo o dia de hoje no Hotel Porto dos Ingleses (Norte da Ilha), de onde saem por volta das 18h30 para a Ressacada. Não estão previstas atividades físicas com os atletas. A intenção do técnico Cuca é criar um clima de descontração e confiança entre os jogadores - mesmo com a pressão de uma final. "A equipe está muito identificada. Estamos falando a mesma linguagem e olhando um no olho do outro. Temos uma relação de amizade muito boa, mas sabemos respeitar a hierarquia", diz o técnico, há 70 dias dirigindo o Avaí.

O dia de ontem foi de treinos leves. Os atletas fizeram uma corrida pela parte da manhã na praia dos Ingleses e, à tarde, exercícios de alongamento na quadra de gramado sintético do Albino Disco Club. Apesar da tendinite de Alex Rossi, Cuca disse que o atacante é essencial ao esquema de jogo. Alex desempatou a partida de domingo, marcando o último gol contra o Criciúma. "Ele vai nem que seja na marra", brincou o técnico de Curitiba.

Estratégia

A estratégia de esperar primeiro a divulgação oficial do time adversário, será, segundo o técnico do Figueirense, uma de suas armas para surpreender o Avaí em seus domínios. O Figueirense tem a seu favor a vantagem de jogar por empates até a prorrogação do segundo jogo. "Vamos jogar para ampliar ainda mais esta vantagem", promete. Até o treino de ontem, Abel mantinha dúvidas quanto a utilização de Denys ou Pedro Aruba na lateral e acenou com a possibilidade de incluir mais um atacante na equipe, provavelmente Claudiomir.

AVAÍ: Miguel; Fantick, Mano, Jeferson Douglas e César Souza; Régis, Dirlei, Helton e Grizzo; Alex Rossi e Dão. Técnico: Cuca.
FIGUEIRENSE: Maurício; Edinho, Carlinhos, Polaco e Denys (Pedro Aruba); Perivaldo, Daniel Frasson, Toto (Claudiomir) e Fernandes (Zé Renato); Genilson e Aldrovani. Técnico: Abel Ribeiro.
ÁRBITRO: Será sorteado 30 minutos antes do início da partida. Os nomes disponíves são Clésio Moreira dos Santos, Giuliano Bozzano, Paulo Henrique de Godoy Bezerra e Osvaldo Meira Júnior.
LOCAL: Estádio Aderbal Ramos da Silva (Ressacada). HORÁRIO: 21h30

Maioria não viu o clássico
que decidiu o campeonato em 75

Florianópolis ­ Há exatos 23 anos, onze meses e 28 dias, no auge do futebol da Capital, a cidade de Florianópolis vivenciava um clássico histórico na trajetória de confrontos dos dois mais tradicionais adversários do futebol Catarinense. Marcado pela decisão do último título Estadual disputado entre Avaí e Figueirense, aquele clássico, o de número 218, realizado em 17 de agosto de 1975, o terceiro de uma série para apontar o campeão, ficou na história como um dos mais indigestos na memória dos remanescentes torcedores do alvinegro. O Figueirense venceu uma e perdeu duas partidas, deixando escapar um título dentro de seu próprio estádio.

A maior parte dos torcedores que hoje vão presenciar a reedição de um clássico na proporção de uma final de campeonato não assistiram a tão comentada partida de quase 24 anos atrás. Se hoje, para alguns torcedores, o episódio trás recordações negativas, para o volante alvinegro Leandro Hoffmann, o "Toto", ele não passa de um episódio aquém de sua existência - ele nasceu quatro anos depois da realização do clássico.

Toto começa a alimentar a partir de hoje a realização de um sonho que carrega deste seus primeiros anos de vida. Aos 20 anos de idade, formado nas categorias de base do clube, ele quer tornar-se o mais jovem campeão Estadual entre os experientes jogadores disponibilizados pelo técnico Abel para o primeiro jogo da final. Toto não está confirmado como titular, mas aposta que será peça importante nesta histórica final para seu clube.

Dão espera receber hoje
o presente de aniversário

Ana Cláudia Menezes

Florianópolis - Até o final do treino de ontem do Avaí, nenhuma comemoração de aniversário havia sido feita para o centroavante Dão, que completou 33 anos na véspera da primeira partida decisiva contra o Figueirense. Ele aguardava uma "possível surpresa" da mulher Joselene e dos filhos Aline, 12 anos, e Alan, 10, mas sem muita certeza. "Nem está dando para comemorar por causa da nossa concentração total", disse. A compensação pelo atraso pode vir hoje à noite. Nascido em Juazeiro, interior da Bahia, Dão garante que o melhor presente de aniversário poderá ser uma vitória sobre o Figueirense. "Ou até dupla, se o gol for meu", brincou.

Artilheiro do Avaí com 13 gols, o baiano foi responsável por dois gols na partida de domingo contra o Criciúma e que garantiu à equipe da Capital a classificação para a final, com o placar de 3 a 2. Em três anos jogando pelo Avaí, Dão já levantou dois títulos - em 1997 no campeonato estadual e no ano passado, pelo Brasileiro da Série C.

A um ano do fim de seu contrato no time da Ressacada, Dão conta que já está bem acostumado com o estilo de vida dos florianopolitanos. No início, custou um pouco a se adaptar ao frio da Ilha. Em Juazeiro não há inverno e a temperatura média durante o ano é de 35º C. "Mas agora eu e minha família estamos bem habituados", conta o centroavante, que já defendeu o Vitória (BA) e o Rio Branco (SP).


Clássico divide
o coração de Balduíno

Campeão pelo Avaí em 1975, meia jogou vários anos no Figueira

Ana Cláudia Menezes

Florianópolis - "Isso é pra matar as saudades", diz Balduíno, ao ensaiar algumas embaixadas com o filho Michel, de 16 anos. O ex-meio-campo do Avaí, campeão no último clássico decisivo, em agosto de 1975, prefere não torcer desta vez e nem sabe ao certo se irá à Ressacada na noite de hoje. "Acho melhor ficar em casa. O que eu queria que acontecesse, aconteceu. Como florianopolitano, queria ver os dois times em campo na decisão", explica.

A torcida estratégica faz sentido. Depois de iniciar no futebol pelas categorias inferiores do Figueirense, João Carlos da Silva, o Balduíno, 46 anos, jogou de 1972 a 1977 pelo Avaí, equipe que lhe deu o bicampeonato em 73 e 75, e foi três vezes vice-campeão pelo time alvinegro. "Foi uma pena. Tínhamos o maior número de pontos mas em cima da hora perdíamos para o Joinville. Nem São Pedro dava uma trégua", lembra.

Balduíno costuma contar que na saída de um clássico Avaí e Figueirense, em 1996, que terminou em empate de 1 a 1, foi ovacionado de pé pelas duas torcidas. "Sou lembrado até hoje porque saí por cima. Deixei o futebol antes da bola me deixar, no auge da minha vida. Foi uma decisão consciente, tranqüila".

Ele parou de jogar em 1984, aos 32 anos, e ingressou na carreira acadêmica depois de terminar o curso de Educação Física no Centro de Educação Física e Desportos (Cefid) na Udesc, em Florianópolis. Mal saiu a aposentadoria, no início do ano, Balduíno decidiu voltar a dar aulas, desta vez para crianças de quatro a 16 anos no centro esportivo Estação da Bola, no bairro do Itacorubi. Ele também dirige o Flamenguinho, de Capoeiras, em quarto lugar na categoria juvenil no campeonato da cidade.

Da mesma forma que o Avaí surpreendeu em 1975 ao disputar - e ganhar - a final com o Figueirense, Balduíno acredita que não há favoritos na partida de hoje. "Acho que clássico é o melhor momento da vida de qualquer jogador. Estou torcendo para que ganhe o melhor. Na verdade minha pretensão é ser treinador. A partir do momento em que eu passo a ser professor, eu deixo de ser torcedor", diz.

Casagrande já
ganhou título

Júlio Castro

Florianópolis - Jaime Casagrande, o lateral-esquerdo do time do Figueirense vice campeão catarinense de 1975, é hoje o preparador de goleiros do clube e também remanescente de muitas conquistas protagonizadas pelo time do Estreito. Casagrande foi da época em que a raça estava acima de qualquer circunstância de uma equipe. "Hoje este comportamento não é encontrado na maioria dos clubes brasileiros", observa.

De porte físico avantajado, Casagrande trabalhou na roça com os pais em Siderópolis até vir para o Estádio Orlando Scarpelli no início da década de 70. Logo no seu primeiro ano de clube, o "colono", como era chamado pelo técnico Jorge Ferreira, ajudou o time a conquistar o título estadual depois de 13 anos de jejum.

Acostumado aos jogos da Liga Atlética da Região Mineira (Larm), quando jogada no campeonato amador de Criciúma, Casagrande não dava espaços para os pontas atrevidos, segundo ele, típicos daqueles tempos de grandes atacantes.

O preparador de goleiros do Figueirense relembra com saudades suas participações no time campeão catarinense de 1974. Ao lado de Moenda, Sérgio Lopes, Pinga, Nilson, Nelson, Marcos Cavalo, Moacir, Jaci, Luiz Everton e Zé Carlos, o remanescente lateral destaca que o amor ao clube no passado era uma constante. "A entrega era total. Nada se compara ao amor que alimentamos pelo Figueirense", salienta o ex-lateral, que encerrou carreira no Figueirense em 1980.

 

 

 

Fonte de todas as notícias: A Notícia

clipagens anteriores

Copyright© 1999 Guia Floripa
Todos os Direitos Reservados
Fale conosco