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| CLIPAGEM - 26 de julho |
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campeão catarinense de 99
Florianópolis - A final do Campeonato Catarinense teve todos os ingredientes de uma decisão histórica, como pedia o confronto entre os rivais Avaí e Figueirense. Estádio lotado, confusão em campo, sucessivas reviravoltas na situação da partida, técnico brigando com jogador do outro time e até atletas da mesma equipe trocando tapas e chutes O título ficou com o Figueirense, que fez 2 a 1 no tempo normal e segurou empate sem gols na prorrogação. O primeiro tempo teve poucas chances de gol e muita tensão. Na etapa final, o jogo ficou aberto e ainda mais confuso, com sucessivos desentendimentos em campo. Tentando tomar o controle da partida, o árbitro Clésio Moreira dos Santos abusava dos cartões amarelos - foram dez ao longo do jogo. Aos 21 minutos, a bola sobrou dentro da área para Genilson. O artilheiro do campeonato teve calma para fugir do goleiro Miguel e tocar com tranqüilidade no canto esquerdo. Aos 35, o Avaí chegou ao empate. Numa cobrança de falta a dez passos da área, a bola foi rolada de lado para o centroavante Dão, que acertou um chute fortíssimo. Só que a torcida mal teve tempo de comemorar: no minuto seguinte, Claudiomir foi puxado por Dirlei dentro da área. Genílson bateu o pênalti à meia-altura e fez seu 26º gol no campeonato. Na prorrogação quase não houve futebol. Claudiomir e Toninho, do Figueirense, e Grizzo, do Avaí, foram expulsos. Sem o controle do jogo, Clésio terminou a partida quando deveria dar pelo menos mais cinco minutos de acréscimo. Agora o Figueirense vai disputar com o Tubarão, campeão da Copa Santa Catarina, uma vaga na Copa do Brasil do ano que vem. As partidas acontecem na quarta-feira em Tubarão e sábado em Florianópolis. FIGUEIRENSE: Maurício; Pedro Aruba, Carlinhos, Polaco
(Alexandre Rosa) e Denys; Perivaldo, Valdeir, Zé Renato (Claudiomir)
e Júlio César (Toninho); Genílson e Aldrovani.
TÉCNICO: Abel Ribeiro.
Florianópolis - Vinte e quatro anos depois da última decisão de campeonato estadual entre os dois clubes da capital, disputada no mesmo estádio Orlando Scarpelli, o Figueirense deu o troco e saiu com o título. Os jogadores que participaram da partida de ontem sabem que já fazem parte da história do alvinegro. "Nunca vou esquecer deste dia", repetia Genílson, autor dos dois gols da equipe campeã. A torcida invadiu o campo e arrancou a roupa dos jogadores. Foi uma festa emocionada. Ao receber o troféu e ao dar a volta olímpica, os jogadores também se comportaram como apaixonados alvinegros. "Estou muito feliz aqui e, se depender de mim, encerro minha carreira no Figueirense", dizia o lateral-esquerdo Denys, 33 anos, ainda hoje lembrado pelo erro na final do campeonato paulista de 1986 que deu o título à Internacional de Limeira contra o Palmeiras. No vestiário, as provocações e desentendimentos ao longo da partida foram esquecidos para que todos comemorassem o título. "O Cuca me agrediu mas eu o perdôo; ele é uma boa pessoa", dizia Perivaldo sobre o destemperado técnico avaiano, que discutiu com adversários, invadiu o campo e foi expulso. Valdeir e Perivaldo, que trocaram agressões quando faltavam poucos minutos para o fim da prorrogação, credenciaram o episódio ao nervosismo e à vontade de vencer. Decisões como a de ontem mudam o comportamento de muita gente. Sempre calmo, o técnico Abel Ribeiro perdeu o controle depois da expulsão de Toninho, já no final da prorrogação. Invadiu o campo para bater no árbitro, mas foi contido e retirado por policiais. (MO)
Florianópolis - A nação azul se fechou à comemoração alvinegra. Enquanto os policiais tentavam conter a invasão da torcida do Figueirense no campo, os jogadores avaianos desceram ao vestiário sem olhar para a festa do adversário. A dificuldade da polícia em afastar do gramado o insistente Cuca, expulso desde o segundo tempo, acabou como num passe de mágica, para seguir as palavras do técnico. "Hoje nem Shazan ia ajudar o Avaí", resmungou o treinador ao final. Antes que Cuca fizesse seu desabafo, recolhido ao subsolo do Scarpelli, os torcedores azurras deixaram seu lugar sem qualquer alarde. A única marca da mágoa azurra ficou em parte do alambrado, destruído na pressa de deixar o espaço. Ao contrário do torcedor, o banco do Avaí não escondeu as lágrimas, e o técnico seguiu duro em sua avaliação do clássico. "Que profissional é o Perivaldo? Não sabe que está fechando a porta do Avaí para ele?", questionou. Cuca se referia à comemoração do jogador pelo primeiro gol do Figueirense, quando desfilou provocativo em frente ao banco do adversário. "Estou frustrado não pela derrota, mas pela amarração do árbitro", despejou, completando que não sabe se vai permanecer no posto para o Campeonato Brasileiro. (Aline Felkel)
e desequilibra na decisão
Florianópolis - Já nos primeiros 12 minutos de partida ele motivou dois cartões amarelos, antes de brilhar como autor dos gols do título. Um foi para o meia avaiano Régis, numa falta aos cinco minutos. O zagueiro adversário Mano recebeu o outro, após puxar sua camisa na lateral esquerda, quando já ia pisar na grande área. Um paciente Genílson não revidou, apesar de a torcida alvinegra ter permanecido na dúvida sobre um pênalti. O equilíbrio inicial, quando o artilheiro do Figueirense sequer podia imaginar que a decisão acabaria com a polícia apartando jogadores, pode ter sido a decisão mais sábia em todo o campeonato. Até os próprios companheiros brigaram, mas Genílson passou liso pelas provocações e chegou com maturidade ao título de maior artilheiro na história do clube, marcando 26 gols para o Figueirense neste Estadual. O atacante que anunciou empenho redobrado para o clássico cumpriu a determinação aos 19 minutos do segundo tempo. A comemoração alvinegra foi silenciada pelo gol do avaiano Dão, aos 36. Mas a missão de Genílson ainda não tinha chegado ao fim. Cobrou o pênalti que deu a vitória ao Figueirense com perfeição. Foi o de número 315 entre todos os confrontos com o Avaí e marcou o fim da desforra que durou os 24 anos. Voltou com garra na prorrogação, quando roubou a bola que Mano levava sozinho, e quando quase marcou num contra-ataque, ao finalzinho. Quando o apito do juiz pôs fim ao tumulto no gramado, acabou também com o controle do atacante. Aí Genílson foi o mais feliz de todos e gritava repetidamente um agradecimento à torcida. O artilheiro não precisava mesmo falar mais nada.
Florianópolis - A final de ontem foi mais um capítulo da rivalidade entre Figueirense e Avaí, iniciada em 13 de abril de 1924, um domingo. O Figueirense ganhou por 4 a 3, de virada. Inconformados com a suposta parcialidade do juiz, os jogadores avaianos partiram para a pancadaria e o jogo teve que acabar antes da hora. Afloraram em campo pendengas anteriores à partida, que nem valia por qualquer campeonato. Fundado três anos antes por um grupo de jovens reunidos numa casa da rua Padre Roma, no Centro, o Figueirense havia dispensado alguns jogadores, que foram buscar abrigo justamente no Avaí, nascido no ano anterior. Os jornais começavam a dar espaço para aquele que se transformaria no esporte mais popular do País, à época ainda grafado foot-ball. Foi com um amontoado de termos estrangeiros que O Estado narrou o primeiro duelo entre os eternos rivais. "Ao terminar o primeiro tempo, os jogadores do Avahy, com um jogo bem combinado e vigoroso, havia feito três goals contra nenhum ponto do team contendor. Às 17 horas, o reféree senhor sargento Cabral deu início ao segundo tempo, que decorreu entre as maiores surpresas para a assistência e em meio de grande confusão. Os jogadores do Figueirense 'tomaram fôlego', como vulgarmente se diz, e em menos de 30 minutos alojaram a bola por quatro vezes na rede inimiga." Poucas semanas depois foi criada a Liga Santa Catarina de Desportos Terrestres, antecessora da atual Federação Catarinense de Futebol. A vingança avaiana viria ao final da temporada, com o título de campeão da cidade em 1924, hoje reconhecido como primeiro campeonato catarinense de futebol. (Maurício Oliveira)
mas não conseguem entrar Florianópolis - O torcedor do Avaí que ficou do lado de fora não segurou a revolta, como o paciente que deixou o estádio sem nenhum confronto. A indignação começou com quem possuía ingresso e às 14 horas já não conseguia entrar porque a área reservada aos avaianos estava lotada. "Estou com ele na mão e não vou poder assistir ao jogo", reclamava Amilton José Borges, 33 anos, perto de um grupo em situação semelhante. Os estudantes Renan Rendon, 20, e Diego Martins, 18, batalharam pelo seu bilhete sem sucesso desde o início da manhã. "Teve guichê que vendeu tudo de uma vez, embora fosse limitado em cinco por pessoa, só para acabar o serviço logo. Vi um cambista comprar 200", denunciou Renan. A turma azurra que ficou de fora extrapolou o protesto verbal às 14h30, quando viu que não tinha mais chance. Um grupo forçou a entrada depois que um torcedor abriu o portão com um pontapé. A polícia montada interveio, soltou bombas de efeito moral e conseguiu deter o líder da bagunça, acalmando os ânimos - o torcedor ainda chutou um policial na tentativa de fuga. Antes da turbulência, alguns avaianos conseguiram burlar a segurança. Eles foram alçados para dentro do estádio agarrados a bandeiras estendidas por torcedores. (AL) |
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