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Terceiro jogo da decisão - 1975

 

Domingo, dia 17 de agosto de 1975. Era o dia do terceiro jogo entre Avai e Figueirense. Um dos dois seria campeão. Domingo era um dia de namorar na beira mar, ainda com suas duas pistas internas. A primeira beira mar que começava na cabeceira para ponte velha. A gente parava os carros ou as motocas junto a calçada do lado do mar e namorava. Era uma dia de festa. A cidade toda passava por ali. Era um dia de inverno. Fazia sol. Mas a cidade não estava na Beira Mar. A cidade se mudara para o Estreito. Estavam todos no Estádio do Figueirense, no Orlando Scarpelli. Saía gente pelo ladrão. Na coloninha onde ninguém gostava de ir por orgulho não cabia ninguém. Todos queriam ver aquele jogo. Uma data histórica para o futebol catarinense. Todos ali iriam entrar para a história.

Bezerra seria o árbitro, Bozzano e Roldão seus auxiliares e Alvir Renzi estava fora porque chegará atrasado no jogo de sexta. No mínimo se atrasou nos braços de uma mulher, como era de costume.

Como hoje os árbitros eram bons, mas as torcida contestavam. Os jornais anunciavam: Arbitragem, a arte de desagradar.

Zenon fez um gol. Bozzano como bandeira marcou impedimento e levou uma pilha na cabeça. Ninguém sabe, até hoje, se veio das cadeiras ou da torcida do Avai. Sangrou e saiu nos braços dos amigos. Pedro Zimmer, afilhado do presidente da Federação José Elias Giuliari. Como o presidente ele veio de Joinville para ver a festa na capital. Bem feito para Bozzano que combinou com Bezerra para colocar Roldão correndo pelo lado das gerais, onde a torcida apupava mais.

Eram 23 minutos do segundo tempo o lateral Souza, que já fora chamado de Pelezinho quando jogava no meio de campo do Figueirense cobrou uma falta para o Avai. Zenon recebeu driblou Luiz Everton, correu e passou por Casa-grande, na linha de fundo deu um corte em Orcina, um quarto-zagueiro e levantou para que Juti na corrida tocasse de cabeça marcando o seu vigésimo nono gol no campeonato e o gol do Avai. Correu para a galera e no dia seguinte pegava um avião para Campinas.

Ao final a torcida do Avai derrubou o alambrado e invadiu o campo para festejar a conquista do título. Vanderley Silva desdenhava declarando nos microfones que o título estadual não era importante o importante era jogar o nacional e era o Figueirense que iria para o nacional.

No dia seguinte o presidente João Salum negou o empréstimo de Veneza, Lourival e Carlos ao Figueirense. Alegava que no ano anterior, quando o Avai fora para o nacional, o Figueirense fizera a mesma coisa. A rivalidade continuava de pé.

A renda? Ora a renda quase dobrou: 213mil 980 cruzeiros. Outro recorde na época.

Domingo é outro dia para se entrar para a História.

 


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