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PLANETA ATLÂNTIDA 2002

Texto: Anacris de Oliveira
Fotos: Mario Costa Junior

No sábado o público chegou mais cedo. Como o palco principal ainda estava vazio, a galera se dividia entre as diversões do paredão de escalada e da tenda Blue Hollywood. Alguns arriscavam dançar um forró ao som da Mandacaru na tenda Forreggae, mas o chão de pedras e algumas poças d'água que sobraram da noite anterior não ajudava muito.

A exemplo do dia anterior, uma banda local abriria a maratona de shows embaixo de Sol. Mas a Iriê teve a seu favor tanto a grande quantidade de fãs do reggae vinda principalmente para as apresentações da Tribo de Jah e de Cidade Negra como o fato do público já saber de cor a letra de Mas Tem Fé, música exaustivamente tocada nas rádios da capital. Um dos pontos altos do show foi quando algumas crianças do Projeto Balakubatuki subiram ao palco com seus instrumentos de percussão feitos de lata para acompanhar a banda.

Depois da Iriê, a grande surpresa da noite: o show antecipado da Planet Hemp. Embora a versão oficial garantisse que a troca da ordem foi causada por um atraso no vôo dos Titãs, B Negão justificou a troca de horário com uma decisão judicial: "É sempre assim, colocam na primeira capa de jornal que o Planet Hemp vem e a gente se ferra. Dessa vez ou era show às 19:00, ou não era.", desabafa o rapper, que prometeu o lançamento de um disco solo até a metade do ano. Coincidentemente, na hora exata em que a banda subia no palco, um camburão de polícia chegava nos fundos do Parque. Mesmo com o resquício de sol, o público não era pequeno e não ligou para as reclamações indignadas de Marcelo D2. O que aconteceu foi uma platéia incendiada já no início da noite com sucessos como Legalize Já e Fazendo a Cabeça.

E foi assim que Frejat pegou o público. A princípio, o cantor foi na onda, tocando grandes sucessos do rock nacional. Mas quando começou a tocar o repertório da carreira solo, as baladas dominaram o show, o que acabou freando o ânimo dos espectadores. Quando o cantor tocou Malandragem Dá um Tempo, de Bezerra da Silva, o público ainda arriscou uma reação, mas todos já estavam no clima de paz, prontos para o reggae que viria.

Foi assim que a Tribo de Jah, velha conhecida dos palcos ilhéus, tocou seus grandes sucessos, entre eles Reggae na Estrada. Em seguida, mais reggae com Cidade Negra, só que com muito mais agito. O vocalista Toni Garrido comandou a platéia com destreza, alternando músicas do novo CD Enquanto o Mundo Gira com velhos sucessos da banda carioca. O show ainda contou com a participação especial de Chorão, que trocou o microfone pelos instrumentos de percussão.

Em seguida, foi uma hora de rock destinada a 20 anos de carreira da banda Titãs. A apresentação contou com a participação do guitarrista Luís Carlini, que freqüentemente vem a Florianópolis. Entre músicas do último disco A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana, sucessos do início da carreira e do MTV Acústico, sobrou tempo para um discurso emocionado em homenagem a Marcelo Frommer e Cássia Eller.

No início da apresentação da Comunidade Nin-Jitsu uma certeza tomou conta do público: quem costuma expedir as liminares contra a Planet Hemp não tem a mínima idéia de que tipo de música a banda gaúcha faz. Com refrões do tipo "maconha no almoço, maconha no jantar, maconha está virando um produto alimentar" os quatro integrantes mostraram que têm muita presença de palco, comandando a platéia de tal jeito que nem parecia ser o primeiro show em Florianópolis. No final, a banda conseguiu surpreender ainda mais: além da participação de B Negão, Fredi Endres arrebentou sua guitarra e jogou os restos para a galera dando uma idéia do que quer dizer com a gíria chalaça.

E foi nesse agito, quase sem tempo nenhum de intervalo, que Raimundos começou o show forrócore, mostrando que a saída de Rodolfo mexeu muito mais no lado emocional da banda que no talento. O público participou em massa, tanto nas mãos balançando de um lado para o outro em Selim, como se fosse a música mais romântica do mundo, quanto na participação feminina em A Mais Pedida, onde só as mulheres cantaram. O público foi ao delírio em outros dois pontos do show: no cover de Blitzkrieg Bop, dos Ramones, e na participação de Chorão em Mulher de Fases.

Com tanta adrenalina, era previsto que a John Bala Jones encerrasse o festival em grande estilo, mas uma chuva inesperada esfriou os ânimos. Com um público menor que o esperado, a banda ilhoa apresentou exclusivamente repertório próprio.

Veja aqui as fotos da segunda noite.

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