No
sábado o público chegou mais
cedo. Como o palco principal ainda estava
vazio, a galera se dividia entre as diversões
do paredão de escalada e da tenda
Blue Hollywood. Alguns arriscavam dançar
um forró ao som da Mandacaru
na tenda Forreggae, mas o chão de
pedras e algumas poças d'água
que sobraram da noite anterior não
ajudava muito.
A exemplo do dia anterior, uma banda local
abriria a maratona de shows embaixo de Sol.
Mas a Iriê teve a seu favor
tanto a grande quantidade de fãs
do reggae vinda principalmente para as apresentações
da Tribo de Jah e de Cidade Negra como o
fato do público já saber de
cor a letra de Mas Tem Fé,
música exaustivamente tocada nas
rádios da capital. Um dos pontos
altos do show foi quando algumas crianças
do Projeto Balakubatuki subiram ao palco
com seus instrumentos de percussão
feitos de lata para acompanhar a banda.
Depois
da Iriê, a grande surpresa da noite:
o show antecipado da Planet Hemp.
Embora a versão oficial garantisse
que a troca da ordem foi causada por um
atraso no vôo dos Titãs, B
Negão justificou a troca de horário
com uma decisão judicial: "É
sempre assim, colocam na primeira capa de
jornal que o Planet Hemp vem e a gente se
ferra. Dessa vez ou era show às 19:00,
ou não era.", desabafa o rapper,
que prometeu o lançamento de um disco
solo até a metade do ano. Coincidentemente,
na hora exata em que a banda subia no palco,
um camburão de polícia chegava
nos fundos do Parque. Mesmo com o resquício
de sol, o público não era
pequeno e não ligou para as reclamações
indignadas de Marcelo D2. O que aconteceu
foi uma platéia incendiada já
no início da noite com sucessos como
Legalize Já e Fazendo a
Cabeça.
E foi assim que Frejat pegou o público.
A princípio, o cantor foi na onda,
tocando grandes sucessos do rock nacional.
Mas quando começou a tocar o repertório
da carreira solo, as baladas dominaram o
show, o que acabou freando o ânimo
dos espectadores. Quando o cantor tocou
Malandragem Dá um Tempo, de
Bezerra da Silva, o público ainda
arriscou uma reação, mas todos
já estavam no clima de paz, prontos
para o reggae que viria.
Foi
assim que a Tribo de Jah, velha conhecida
dos palcos ilhéus, tocou seus grandes
sucessos, entre eles Reggae na Estrada.
Em seguida, mais reggae com Cidade Negra,
só que com muito mais agito. O vocalista
Toni Garrido comandou a platéia com
destreza, alternando músicas do novo
CD Enquanto o Mundo Gira com velhos
sucessos da banda carioca. O show ainda
contou com a participação
especial de Chorão, que trocou o
microfone pelos instrumentos de percussão.
Em seguida, foi uma hora de rock destinada
a 20 anos de carreira da banda Titãs.
A apresentação contou com
a participação do guitarrista
Luís Carlini, que freqüentemente
vem a Florianópolis. Entre músicas
do último disco A Melhor Banda
de Todos os Tempos da Última Semana,
sucessos do início da carreira e
do MTV Acústico, sobrou tempo
para um discurso emocionado em homenagem
a Marcelo Frommer e Cássia Eller.
No
início da apresentação
da Comunidade Nin-Jitsu uma certeza
tomou conta do público: quem costuma
expedir as liminares contra a Planet Hemp
não tem a mínima idéia
de que tipo de música a banda gaúcha
faz. Com refrões do tipo "maconha
no almoço, maconha no jantar, maconha
está virando um produto alimentar"
os quatro integrantes mostraram que têm
muita presença de palco, comandando
a platéia de tal jeito que nem parecia
ser o primeiro show em Florianópolis.
No final, a banda conseguiu surpreender
ainda mais: além da participação
de B Negão, Fredi Endres arrebentou
sua guitarra e jogou os restos para a galera
dando uma idéia do que quer dizer
com a gíria chalaça.
E
foi nesse agito, quase sem tempo nenhum
de intervalo, que Raimundos começou
o show forrócore, mostrando que a
saída de Rodolfo mexeu muito mais
no lado emocional da banda que no talento.
O público participou em massa, tanto
nas mãos balançando de um
lado para o outro em Selim, como
se fosse a música mais romântica
do mundo, quanto na participação
feminina em A Mais Pedida, onde só
as mulheres cantaram. O público foi
ao delírio em outros dois pontos
do show: no cover de Blitzkrieg Bop,
dos Ramones, e na participação
de Chorão em Mulher de Fases.
Com tanta adrenalina, era previsto que a
John Bala Jones encerrasse o festival
em grande estilo, mas uma chuva inesperada
esfriou os ânimos. Com um público
menor que o esperado, a banda ilhoa apresentou
exclusivamente repertório próprio.
Veja
aqui as fotos da segunda noite.
Volte
para a página de sexta-feira..