Mais
que um show. A realização de um sonho.
Eram
quase 21h quando a multidão eufórica que enchia
o gramado e as arquibancadas do estádio Olímpico
começou a gritar pelo nome de Roger Waters. As luzes
apagaram-se e uma figura de cabelos grisalhos vestida com
um blazer e camiseta pretos subiu as escadas laterais do
palco. Era como um sonho que se materializava diante de
olhos atônitos, lá estava ele, o co-fundador
de de uma das bandas mais influentes do planeta. Nesse
momento, uma explosão de euforia e histerismo tomou
conta da multidão e, aos primeiros acordes de In
the Flesh, música que dá nome à
turnê, começava a experiência sonora
e visual mais esperada em shows internacionais pelo público
brasileiro.
Os acordes de guitarra percorriam todos os cantos do estádio
com uma pureza jamais experimentada em terras tupiniquins,
graças ao sistema V-Dosc que distribuia o som por
108 caixas espalhadas ao redor do gramado e nas laterais
do palco. No alto, dois grandes telões exibiam, com
uma nitidez incrível, as imagens da banda.
Ao fundo, como cenário, uma imensa tela 253m²
alimentada por um super projetor de 70mm exibia imagens
de slides feitos a base de agua e óleo, paísagens
bucólicas, fotos de nativos americanos, explosões,
eclipses e a famosa marcha dos martelos do filme The
Wall.
Seguindo
o mesmo set-list de canções executadas nos
show feitos em Santiago, no Chile, e na praça da
Apoteose, no Rio de Janeiro, Roger Waters brindou a platéia
com um repertório que contemplava clássicos
como Pigs on the Wing, Dogs, Wish You Were Here.
Para finalizar o primeiro bloco, Shine On You Crazy
Diamonds. Nesse momento, um céu estrelado
foi projetado no telão e, quase que como um passe
de mágica, o céu acima do estádio,
que desde às 5h da tarde estampava um cinza carregado,
limpou por completo, criando um dos momentos mais sublimes
da noite.
Após
vinte minutos de descanso, nos quais, educadamente, o público
esperou pelo astro, Roger Waters começou a performance
com Set the Controls For the Heart of The Sun. A
segunda parte teve os seu picos mais marcantes com as músicas
Time, Money e finalizando com Comfortably
Numb. No bis, Roger voltou com seu último lançamento,
encerrando noite.
Depois
do show, ainda envolvidos pela atmosfera psicodélica,
os fãs caminhavam pelas ruas ao redor do estádio
comentando sobre os momentos que mais marcaram a noite.
Para o estudante da Udesc, Eduardo Gheller de 21 anos, aquele
momento havia transformado sua vida, afirmou ele. "Depois
desta noite minha vida se resume a antes e depois do show
do Roger Waters".