... Ricardinho Machado - Guia Floripa - Ricaldinho da Ilha 2011
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23.3.11


 
Pedro machado      
           
PARABÉNS FLORIPA - Nosso cartão postal, símbolo da festa de aniversário da cidade, das lembranças do povo ilhéu e cenário do Ricaldinho da Ilha que rola hoje no Clube Náutico Francisco Martinelli.
 



 
Ilha de Santa Catarina 


Dia 23 de março no ano da graça de 1956, abri os olhos na Carlos Corrêa e com 6,2kg a enfermeira logo disse que valia por dois. Sabe lá... vai ver é aquela parte que me instiga à gula até hoje.

Como não tive pai, Deus me agraciou com duas maezonas: Domá e Aninha. Minha infância não foi longe do quadrilátero Crispim Mira, Monsenhor Topp, Major Costa e Mauro Ramos. Aos cinco anos corri em disparada com uma legião de moleques até a praça dos Bombeiros atrás do avião em chamas da Esquadrilha da Fumaça. Sem saber que o destino fatal da aeronave era a pracinha do Kioski, olhei em volta e estava perdido. Uma boa alma me levou de volta a casa. Dali começou minhas andanças.

Saía dos Canudinhos, atravessava a creche da LBA, pegava a General Bittencourt, dobrava na Travessa Argentina, subia a Artista Bittencourt e seguia pela Araújo Figueiredo passando em frente ao TAC e chegando no grupo Lauro Müller para a primeira aula com a dona Tonolli, mãe do Saulzinho Oliveira e colega da minha, Lindomar Martinelli e de dona Clarisse, dona Meta, dona Francisca, dona Sinova e uma plêiade de professoras abnegadas pelo ensino. Aos nove seguimos para o difícil exame de admissão no moderníssimo Instituto Estadual de Educação.

Inglês, francês, desenho, artes e outras "artes" entre as novas amizades. Também na altura, um novo bairro. Sai da Ilha para morar em Coqueiros, num casarão das famílias Vaz Viegas, contraparente de minha irmã mais velha, Nina Lúcia Machado, casada com o Palito - professor e guru Ney Cláudio Franzoni Viegas.

Ali na rua 14 de Julho, embaixo da ponte, de frente pro mar, a maresia, as ostras nas pedras, os siris Goiás, as pescarias com tio Beck nas canoas de garapuvu do Zé Feijão e os mergulhos das proas dos navios argentinos em troca de um "cigarrijo" marcaram minha adolescência como também as pescas na baleeira Pampeiro lá pras bandas da Caieira do Norte.

Nesse tempo, volta e meia, usando a grana do ônibus para mais um pastel, retornava da Ilha no "carcanho" ressabiado com os trilhos em frestas da ponte Hercílio Luz onde se avistavam barquinhos na fronteira molhada das baías.

No lado Continental conheci avós de amigos meus que tinham trabalhado na ponte. Outros no estaleiro Arataca e alguns nas fábricas do Hoepcke... muitas histórias.

E veio o Praia Club, Jovem Guarda, violão às costas, peladas e frescobol. E veio a "ponte nova", o fim do bairro e a volta pra Ilha. Pracinha do Kioski, rock and roll, surf, letras, universidade e jornalismo. Estudos, trabalhos, o casamento com Carin Silva e os filhos Pedro e Juliana. E com as labutas, as lutas... não à ditadura!

Em meio às perdas, as vitórias: A chegada da neta princesa Aroha. E os anos se seguem. Estamos firmes, mas tal qual a ponte Hercílio Luz, precisamos de reparos e restauros para continuar sendo elo do mundo girante que nos leva acima e abaixo todos os dias. O que nos faz agradecer a Deus e pedir que nos abençoe em mais um ano de vida. E rogar pra que não deixem essa ponte cair. Parabéns Floripa! Vamos festejar no Ricaldinho da Ilha!

 




 




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