| |
A
região do bairro Lagoa da Conceição foi habitada
primeiramente pelos Carijós, índios Tupi Guarani. Os vestígios
dessa população são os sítios arqueológicos, onde
foram encontrados pontas de flechas e sambaquis. As oficinas líticas,
denominação dos lugares usados para fazer ferramentas,
podem ser vistas nas pedras da Joaquina e da Galheta. Os índios
também marcam presença em algumas heranças
deixadas aos açorianos, entre elas o cultivo da mandioca
e o feitio de canoa de garapuvu.
Em meados
do século XVIII, a Corte Portuguesa determinou que a Ilha
de Santa Catarina fosse colonizada para garantir sua posse. Os
escolhidos foram os habitantes da Ilha de Açores, que sofriam
com terremotos e superpopulação. Eles vieram entre
1748 e 1756 e foram assentados em micro regiões afastadas,
cada qual com administração, igreja e polícia
próprias, denomidadas freguesias. A Freguesia de Nossa
Senhora da Conceição da Lagoa foi a mais antiga, fundada em 1750,
juntamente com Santo Antônio de Lisboa.
Certamente
a visita mais ilustre que o local recebeu foi em 1845, quando
Dom Pedro II aportou em Desterro. Na ocasião, o imperador
doou uma custódia de prata para a Igreja da Lagoa. Ele voltou
em 1861, dando outro presente à capela: os dois sinos que
ainda estão lá.
Mesmo com
novos moradores vindos de outras cidades, principalmente a partir
de 1980, as tradições açorianas, como a pesca e a renda de bilro,
e o folclore presente nas histórias de bruxas, feiticeiras, lobisomem
e boitatá, ainda fazem parte da vida dos nativos. O Terno de Reis,
a Ratoeira, a Cantoria do Divino, o Pau-de-Fita e o Boi-de-Mamão
são algumas das manifestações artístico-culturais preservadas.
Atualmente, o Centro Cultural Bento Silvério funciona como
maior propagador destas atividades, oferecendo vários cursos
durante o ano.
|