 A
história da Antiga Alfândega iniciou no ano de 1874, quando
João Tomé da Silva, presidente da Província de Santa Catarina,
foi autorizado a mandar construir uma nova sede em substituição
à anterior, incendiada em 1866 por razões até hoje desconhecidas.
O local escolhido não era o mesmo do prédio anterior, mas nas
marinas, entre as ruas do Livramento e do Ouvidor, local então
chamado Largo do Príncipe, por ficar sobre a rua de mesmo nome
- a atual Conselheiro Mafra.
Inaugurada
em 29 de junho de 1876 pelo então presidente da Província, Alfredo
D'Escragnolle Taunay, custou, à época 120 contos de réis, quantia
paga a José Feliciano Alves de Brito, empreiteiro que a construiu.
Até hoje o prédio possui a placa comemorativa do evento, onde
destaca os nomes dos presidentes da Província, que atuaram em
prol da construção, dos responsáveis pelo plano e execução da
obra, respectivamente o Eng. Martinho Domiense Pinto Braga e
o Cel. José Feliciano Alves de Brito, além da data de sua inauguração.
Em estilo
de filiação neo-clássica, o prédio é constituído de três corpos
- o central, com sobrado e remate de frontão, e dois armazéns
laterais, com telhados independentes rematados por platibanda,
e a característica de ser o madeiramento suportado por uma coluna
dórica de ordem monumental. De construção retangular, o térreo
é predominantemente cheio, repetindo o motivo óculo-porta em
arco-óculo, cinco vezes nas fachadas principais e nas duas laterais,
em cadência só distendida na parte mediana, para equilibrar
com a arcaria de sete portas do andar superior, fechada por
varandim corrido.
Sóbrio,
de fachadas iguais duas a duas, é de construção esmerada e apurado
acabamento, com cunhais e vão de cantaria trabalhada, cornijas
perfiladas e platibandas almofadadas, rematadas nos dois pisos
por vasos de porcelana e com as bandeiras das portas do andar
em armação florida, ao gosto da época, assim como o são as das
portas internas. Externamente, está em bom estado de conservação,
salvo pequenas descaracterizações.
No andar
superior funciona o escritório técnico do Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional - Iphan. No térreo funciona a
galeria da Associação de Artistas Plásticos de Santa Catarina,
com espaço para exposições de artistas regionais, a Loja de
Artesanato Catarinense, local em que é possível adquirir belas
lembrancinhas típicas do artesanato local como renda de bilro,
cachaças artesanais e panelas de barro, além do Bar da Alfândega.
O local é um dos principais pontos turísticos do centro da cidade
devido a sua importância histórica e sua beleza arquitetônica.
Até a década
de 70 o prédio da Alfândega era banhado pelo mar. Com a construção
do aterro da Baía Sul, a frente do edifício ganhou uma grande
área que foi transformada em praça, o Largo da Alfândega. O
local já se transformou em um ponto de encontro da população
local e dos inúmeros turistas que por ali passam diariamente.
Há diversos banquinhos para descanso, um laguinho com chafariz,
palco para apresentações artísticas, quiosques que vendem a
típica louça de barro e até um posto de informações turísticas.
Fonte:
Guia dos Bens Tombados Santa Catarina
Rua Conselheiro Mafra, 141 - (48) 3028-8100

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