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 Localizada
junto ao Morro da Lagoa, num dos lugares mais estratégicos
da Lagoa da Conceição, a Igreja de Nossa Senhora da
Conceição foi concluída em 1780, 29 anos depois que
o governador Manuel Escudeiro Ferreira de Souza encaminhou
a planta do templo para Portugal. O projeto foi aprovado
pela Corte portuguesa para ser construído numa das
sesmarias do fundador de Nossa Senhora do Desterro
(antiga Florianópolis), Francisco Dias Velho. Esta
área de sesmaria se tornou a conhecida Freguesia de
Nossa Senhora da Conceição.
A
Igreja sofreu muitas modificações e reparos ao longo
do tempo. Em 1847, com a visita do Imperador D. Pedro
II, a freguesia da Lagoa e sua Igreja receberam a
quantia de 800 mil réis para pagar a custódia de prata
anteriormente encomendada. Quando o Imperador voltou
do Rio Grande já encontrou a custódia comprada e ficou
"plenamente satisfeito com a obra e com o desenho",
conforme ofício do então vigário ao Presidente da
Província. Uma nova visita do Imperador aconteceu
em 1861, desta vez presenteando o templo com dois
sinos, que ainda hoje encontram-se por lá.
Apesar
de todas as transformações sofridas por dentro, das
sucessivas repinturas, a Igreja da Lagoa ainda constitui
um bom exemplo da arquitetura trazida pelos portugueses
para terras catarinenses. Tanto que em 1974, o então
prefeito de Florianópolis, Esperidião Amin, assinou
decreto tombando cinco igrejas que representavam a
arquitetura portuguesa na Ilha: a Igreja de São Francisco
de Assis, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São
Benedito, ambas no centro da cidade, a Igreja de Nossa
Senhora das Necessidades, em Santo Antônio de
Lisboa, a Igreja de
Nossa Senhora da Lapa do Ribeirão da Ilha e a
"igrejinha da Lagoa", como é conhecida a
Igreja de Nossa da Conceição. O ato de tombamento
não dá nenhuma nenhuma garantia de perpetuação, mas
reconhece o valor artístico, cultural e histórico
do monumento.
Em 8 de dezembro de 1999, a Igreja
Nossa Senhora da Conceição foi elevada
à categoria de Santuário.
VEJA
AS FOTOS DA IGREJA
Descrição:
Suas paredes apresentam uma mescla de técnicas construtivas:
o adobe e a alvenaria de pedra. Possivelmente utilizou-se,
também, o oleato de cálcio na argamassa das paredes,
fato comum nas construções coloniais, principalmente
nas regiões onde o óleo de baleia era facilmente conseguido,
como em Santa Catarina. O partido tradicional, nave
e capela-mor, sacristia aos fundos, comum a quase
todas as igrejas da Ilha, é mantido; portada e óculo
envidraçado inserido no frontão triangular, emoldurado
por ornato encurvado, arrematado por cruzeiro em ferro,
e enquadrado por cunhais em cantaria encimados por
coruchéus. A portada em cantaria com verga e sobreverga
encurvadas, de cantaria, também, tem porta almofadada.
À esquerda, a torre sineira também é emoldurada por
cunhais, de cantaria, encimados por coruchéus. Sobre
a sineira abobadada, arrematando-a, pináculo, cobertura
em telhado de duas águas, arrematado por beiral em
cimalha. Diante da igreja, no adro, um grande crucifixo.
No
fim dos anos 80, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição,
numa parceria entre o município e o Estado, passou
por um processo de recuperação arquitetônica. Entre
os "ajustes" foram incluídos o telhado,
forro, piso, esquadrias, paredes, parte elétrica,
entre outras.
A
Igreja, bem como seu entorno, estão protegidos pela
Lei Municipal nº 2.193, de 1985, que instituiu o Plano
Diretor de Uso do Solo dos Balneários da Ilha de Santa
Catarina, por considerá-los incluídos em Área de Preservação
Cultural tipo Um, ou seja, "área de interesse
histórico".
Fonte:
Guia do Bens Tombados Santa Catarina
Pesquisa e Texto: Alcídio Mafra de Souza
Fundação Catarinense de Cultura

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