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 Construída
em 1763 e sagrada em 1806, a Igreja, situada no Distrito
de Ribeirão da Ilha, passou por muitas intervenções
até se tornar realmente apropriada para celebrações.
Em 1840, por exemplo, foram solicitados recursos financeiros
ao então presidente da Província "para atender
a reparos urgentes no telhado e na sacristia da Igreja,
quase em ruínas".
No
entanto, durante a visita de D. Pedro II, em 1845,
o imperador doou à Igreja a quantia de 400 mil réis,
o que contribuiu na realização de novas obras e reparos
à Paróquia. Dois anos mais tarde, o mesmo dinheiro
ainda foi utilizado para pinturas e reformas.
Até
o século atual, novas e desastrosas intervenções foram
feitas, embora, felizmente, a Igreja ainda conserve
algumas de suas características originais.
Seguindo
um partido arquitetônico colonial, a fachada principal
da Igreja Nossa Senhora da Lapa apresenta frontão
triangular. Atrás, erguem-se duas torres, uma
cega e outra sineira. Esta possui dois sinos, balaustradas
no contorno e pináculos no centro da cobertura, de
forma piramidal.
Sobre
a portada, três janelas, todas com vergas arqueadas
e requadros em madeira maciça, além de decoração em
estuque, na qual a sobreverga afeta forma triangular.
Todas as portas são almofadadas e as janelas apresentam,
por fora, guilhotina em vidro de caixilho pequeno.
No
vértice superior do frontão, encimado por cruz de
ferro, decoração em volutas.
Aos
fundos, simetricamente, à direita e à esquerda do
corpo principal, as duas sacristias, cujas portas
de entrada são encimadas por vergas arqueadas. Essas
construções são arrematadas por platibanda. As fachadas
laterais apresentam três janelas altas, retangulares,
com vidraças e porta, com requadros em madeira, encimadas
por vergas e sobrevergas em arco abatido.Internamente,
a clássica divisão nave e capela-mor, separadas pelo
arco cruzeiro e com paredes de 80 cm de espessura.
As
três portas da nave (a principal e duas laterais)
apresentam dobradiças em cachimbo, possivelmente da
época da construção. A porta principal do templo é
almofadada e possui uma interessante aldraba original.
No
teto da nave, pintura representando, ao centro, a
Sagrada Família, a visita dos Reis Magos e o Cristo
crucificado. Na parede sobre o arco cruzeiro, a representação
de Cristo e São João Batista. Na parede do coro, singela
pintura representa Santa Cecília.
A
capela-mor, com um belo altar em branco dourado, colunas
salomônicas, volutas e concheados de inspiração barroca,
guarda belos exemplos de arte sacra dos séculos XVIII
e XIX. Ainda na capela-mor, duas janelas em cada lateral,
abrindo-se de um lado para a sacristia e de outro
para a residência do vigário. No teto pintado, um
medalhão com anjos. Os retábulos do cruzeiro são do
mesmo estilo do altar-mor, possuindo, na sua parte
mais alta, delicados baldaquinos de madeira.
A
Igreja e seu entorno estão incluídos em Área de Preservação
Cultural tipo UM, ou seja, área de interesse histórico,
e estão também protegidos pela Lei Municipal nº 2193,
de 1985.
Fonte:
Guia do Bens Tombados Santa Catarina
Pesquisa e Texto: Alcídio Mafra de Souza
Fundação Catarinense de Cultura

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