Armação - Foz do Sangradouro

Praia da Armação

O clima de pequena vila ainda cerca a Praia da Armação, localizada a 25km do centro de Florianópolis. É um dos principais núcleos de pesca artesanal da ilha, com várias comunidades pesqueiras explorando o mar. Junto com Campeche e Pântano do Sul, forma o maior complexo pesqueiro da cidade.

A antiga Igreja de Sant’Ana ainda é o núcleo centralizador da região, fato que ocorre desde a época da caça de baleias no século XVIII. Convivendo com esta pitada de antiguidade, estão bares, restaurantes, empresas de turismo e surfistas.

Toda esta mistura transformou a Armação no segundo balneário mais frequentado do sul da Ilha. Durante os meses de verão, o aumento da população fortalece as alternativas de lazer à noite. Novas opções bares e restaurantes estão constantemente se estabelecendo – e fazendo com que o morador ou o turista não precise se deslocar para outras regiões da Ilha para encontrar algum agito.

As noites de verão são caracterizadas por muita movimentação nas ruas do centrinho. Passear a pé, observar artistas de rua e escolher um estabelecimento para jantar é a atividade de lazer preferida de quem escolheu o sul da Ilha para viver. Ao mesmo tempo em que serve ao entretenimento noturno, a Armação ainda conserva recantos de silêncio e tranquilidade em todas as épocas do ano.

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Características Naturais da Praia da Armação

A sua longa faixa de areia, de, aproximadamente, 3200 metros (com variação de largura entre 2 e 50 metros), proporciona à praia diferenças nas características naturais. Enquanto que em alguns trechos as ondas são pequenas e calmas, em outros, como o norte, elas são agitadas e propícias ao surf. A ausência de repuxo é uma característica das águas.

As areias são claras e finas que se misturam à água límpida, que pode ficar bastante fria nos meses de outono e inverno.

A Praia da Armação faz limite ao sul com a Ponta das Companhas, por onde passa o rio Sangradouro. É a marca que divide a Praia da Armação da Praia do Matadeiro. Ao norte, o limite fica por conta do Morro das Pedras.

A parte norte da praia é menos habitada, a areia fica envolta de água de um lado e a vegetação nativa do outro. A parte sul possui mais serviços, casas e movimentação. É uma região sujeita a ressacas do mar, que pode atingir perigosamente as casas e construções à beira da praia.

História da Praia da Armação

De acordo com o trabalho do pesquisador, arqueólogo e jesuíta Pe. João Alfredo Rohr, os primeiros habitantes da Praia da Armação surgiram entre 810 e 630 a.C. A descoberta foi feita em 1969, com a retirada de 82 esqueletos indígenas, ferramentas e outros vestígios enterrados no solo. Esta comunidade vivia a partir da pesca, das plantas frutíferas e da água fornecida pelo Rio Sangradouro, que sai da Lagoa do Peri. Eles produziam suas ferramentas com as rochas da Ilha das Campanhas (degranito e diabásios).

Os registros históricos escritos sobre a região datam do século XVIII, quando a coroa portuguesa arrendou terras e instalou armações para a pesca de baleias. O nome da praia, “Armação”, vem destas construções.

Em 1772, é construída a igreja em homenagem a Santa Ana. Ao redor desta igreja, cresceu a comunidade da Armação. Era na igreja que os arpoadores e tripulantes de baleeiras se confessavam e ouviam missa antes de se lançarem ao mar. Em seguida, o sacerdote descia à praia para benzer as embarcações que partiam.

Pescadores e suas famílias se fixavam no local pela oportunidade de empregos com a caça de baleias. A Praia da Armação foi o segundo núcleo baleeiro de Santa Catarina e o primeiro na ilha. A armação era composta por: casa dos tanques, engenho de azeite, casa grande, armazém, senzalas, capela, companhas dos baleeiros e engenho de farinha.

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Durante os séculos XVIII e início do XIX, esta foi a principal atividade econômica da região e trouxe muitas famílias em busca emprego. A grande finalidade da pesca era a extração do óleo das baleias, que era utilizado para iluminação de vias públicas e lamparinas e como argamassa em construções.

Uma baleia de 30 toneladas pode conter cerca de 6 mil litros de óleo. As barbatanas das baleias, que chegavam a cerca de 200 quilos por animal, eram vendidos na Europa. Com elas, produziam-se diversos produtos, como guarda-chuvas, tabaqueiras, piteiras, cachimbos, estojos, bengalas, chicotes, escovas, brochas, penachos, instrumentos de física e química, armações de chapéus, de golas, de mangas, de saias e espartilhos. A carne das baleias não é muito saborosa. Por isso, era dada aos escravos. Por fim, os tendões eram utilizados para a fabricação de cordas.

A pesca de baleias foi, por muito tempo, a principal atividade da coroa portuguesa no litoral catarinense. Isso durou até meados de 1920, quando ingleses instalaram armações nas ilhas Malvinas (Argentina). Eles caçavam as baleias antes de elas chegarem ao litoral brasileiro, além disso, as baleias estavam ficando cada vez mais escassas. Estes fatores levaram à total decadência da economia baleeira em Florianópolis.

No dia 13 de novembro de 1827, foi determinado que as armações fossem leiloadas. Elas acabaram arrendadas pela empresa de Veríssimo Mendes Viana. Sem baleias e com outros combustíveis sendo desenvolvidos, como o carvão e o petróleo, a caça às baleias terminou e as armações foram derrubadas. A proibição da caça no Brasil, entretanto, só veio a ser efetivamente proibida em 1987.

Devido à comunidade que cresceu por conta da economia, a Armação se tornou um dos maiores centros habitacionais do sul da ilha. Desenvolveu-se na parte de serviços e de turismo, atraindo surfistas e veranistas anualmente.

Nos últimos anos, as baleias voltaram a aparecer no litoral catarinense, trazendo mais uma atração para a praia e preservando o turismo de observação.

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