Naufragados - Praia

Praia Naufragados

No extremo sul da ilha, antes de as águas do mar tomarem conta da paisagem, uma última praia guarda mistérios históricos, ruínas de edificações de outros séculos e a natureza praticamente virgem. É a Praia Naufragados, em que só é possível chegar por trilha ou por barco.

A praia conta apenas com a natureza e alguns bares de moradores locais, que servem bebidas e pratos típicos de pescadores a turistas que passam o dia lá. Não há carros, barulho de cidade ou poluição.

A praia tem areia branca e ondas que vêm diretamente do oceano, sendo bastante bravias e frias na maior parte do ano. Não é um local muito recomendado para crianças, pois não há salva-vidas para prestar atendimento rápido em casos de emergência.

Há poucas formas de chegar até Naufragados, mas a mais utilizada é a trilha que sai da Caieira da Barra do Sul. A trilha começa com trajetos acentuados, mas é bastante plana e com mata fechada, fazendo sombra. Dura cerca de uma hora de caminhada. Outra opção é ir de barco.

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Características Naturais da Praia Naufragados

O ponto do extremo sul da Ilha de Santa Catarina é formado por uma enseada de cerca de 1,5km de extensão aberta para o Oceano Atlântico, com faixa de areia de 750 metros. Os limites são feitos por costões de pedras: o Costão do Farol à direita e o do Frade à esquerda.

Algumas das pedras que formam estas divisas naturais foram nomeadas pelos moradores locais. Uma delas chama a atenção por ter a superfície lisa e arredondada, como se fosse um prato. Não se sabe exatamente qual é a origem desta pedra. Há quem diga que índios a esculpiram. Outros afirmam que é resultado do choque com as águas. Também há lendas e crendices em torno surgimento da pedra.

Compondo a vista da Praia dos Naufragados, estão as Ilhas Três Irmãs, as Ilhas Moleques do Sul e a Ilha de Araçatuba, onde está localizado o Forte Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba, além da Ponta dos Papagaios, no município de Palhoça.

A Praia de Naufragados fica a apenas um quilômetro do continente. A areia é fina e branca. À direita, um rio desemboca no oceano. Os aventureiros podem passar por ele durante a trilha para chegar à praia.

As águas do mar, de cor azul escuro, são muito piscosas e podem ficar bastante violentas, principalmente quando bate o vento sul. Formam-se ondas fortes e longas – no lado direito especialmente, em que se podem encontrar boas condições para o surfe. O lado esquerdo, por sua vez, tem o mar mais calmo.

História da Praia Naufragados

A região ganhou o nome de Naufragados pois foi lá que sobreviventes de um naufrágio se refugiaram, além de muitos corpos terem sido enterrados na praia. Uma discussão gira em torno de que naufrágio foi este. A versão mais aceita é de 1753, quando uma galera que levava 250 imigrantes açorianos com destino ao Rio Grande do Sul para fundar a atual cidade de Porto Alegre naufragou na região. Ao todo, morreram mais de 200 pessoas, que tiveram seus corpos sepultados na praia.

Outros naufrágios próximos de que se têm notícia ocorreram ainda no século XVI. Um deles, o navio São Miguel, comandado por Don Rodrigo de Acuña, cujo destino era o Rio da Prata, não conseguiu passar pelo canal.

Outra nau, alguns anos antes, comandada por Juan Dias Solis, encalhou nas proximidades. Solis apelidou a região de Baía dos Perdidos. Pedro Aleixo Garcia foi um dos sobreviventes de naufrágios no sul da ilha. Ele foi o primeiro viajante europeu a desbravar o caminho de Peabiru – que sai de Santa Catarina e vai até o Peru, onde estava estabelecido o Império Inca. Era a ligação entre os Andes e o Atlântico.

Não é à toa que, no dia 14 de maio de 1883, foi inaugurado no local um farol que chegava a até 42,6 metros de altura, para auxiliar as embarcações que por lá passavam. No século XVIII, uma fortaleza foi construída pelo Brigadeiro José da Silva Paes na ilha de Araçatuba, logo em frente à Praia dos Naufragados. Ela fazia parte do sistema de defesa da ilha.

Esta ilha foi palco de um episódio marcante na história do sul do Brasil. Durante a Revolução Farroupilha, em 1839, os soldados que serviam na Fortaleza se juntaram aos rebeldes. Eles sequestraram o comandante do Forte, o Alferes Pedro Fernandes, e o levaram até Laguna para ser executado. Os rebeldes acabaram presos.

Durante a segunda Guerra Mundial, alguns canhões para treinamento de militares foram instalados na Praia de Naufragados. Eles usavam como alvo algumas jangadas jogadas ao mar e, por vezes, as paredes da própria fortaleza.

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